“Posso eu esquecer-me de ti? Ainda que uma mãe se esqueça do filho que amamenta, eu não me esquecerei de ti.”
Isaías 49:15
Ninguém fala sobre isso. Não de verdade. Porque admitir que a maternidade é também exaustão, também ambivalência, também momentos de raiva genuína, de vontade de ter cinco minutos de paz e de silêncio, parece heresia. Parece ingratidão. Parece que você é má mãe.
Especialmente para mulheres cristãs, para quem a maternidade é frequentemente apresentada como vocação sagrada, como maior bênção, como o papel para o qual foram criadas. E que então sentem que há algo fundamentalmente errado nelas quando a realidade não corresponde à narrativa.
Esse artigo é um espaço seguro para dizer o que muitas mulheres pensam mas não se permitem falar em voz alta.
O que ninguém conta sobre o pós-parto
Depressão pós-parto afeta entre 10 e 20% das mulheres que dão à luz. Isso significa que não é exceção rara. É realidade comum. E é significativamente subdiagnosticada porque as mulheres têm vergonha de admitir que não estão bem num momento que “deveria ser o mais feliz da vida.”
Os sintomas vão muito além da tristeza. Podem incluir ansiedade intensa que não tem objeto claro. Irritabilidade desproporcional que assusta a própria mãe. Dificuldade genuína de se conectar com o bebê, que gera uma culpa que por si só é devastadora. Pensamentos intrusivos perturbadores sobre machucar o bebê ou a si mesma, que a pessoa geralmente não conta para ninguém por medo de como vai ser interpretado. Sensação de estranheza em relação à própria identidade. Um esgotamento que vai além do físico e que nenhuma quantidade de sono resolve.

